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Valorização das práticas agroextrativistas e construção social de mercados: perspectivas para a sustentabilidade do bioma Cerrado

Guéneau S., Deane de Abreu Sá Diniz J., Rabelo Nogueira M., Passos C.J.S.. 2016. Lisbonne : s.n., 1 p.. Simpósio Luso-Brasileiro sobre Modelos e Práticas de Sustentabilidade. 1, 2016-07-11/2016-07-12, Lisbonne (Portugal).

Localizado no centro do Brasil, o bioma cerrado abrange cerca de um quarto da área do país, sendo considerado pelos biólogos da conservação como a savana tropical mais rica do mundo. Ele possui uma flora de mais de 12 000 espécies, das quais quase 40% são endêmicas. O cerrado tem sofrido profundas mudanças relacionadas à conversão de cerca da metade de sua vegetação original em monoculturas agrícolas, plantações florestais industriais e pastagens, além de muitas áreas remanescentes já se encontrarem bastante perturbadas. Enquanto o agronegócio avança, a atividade agroextrativista no Cerrado - que combina agricultura e o extrativismo de espécies nativas do bioma - ainda é pouco valorizada, embora conhecida como uma importante ferramenta de uso sustentável do bioma. A presente pesquisa buscou identificar as principais restrições (econômicas, políticas, legais, institucionais, etc.) que impedem uma melhor valorização desses produtos. O quadro analítico usado nessa pesquisa vem da sociologia econômica, mais especificamente focada na construção social dos mercados. A metodologia, qualitativa, inclui observações das feiras e principais pontos de vendas nas regiões de Mambaí, Chapada dos Veadeiros, e Pirenópolis no estado de Goiás, além de Brasília no Distrito Federal. Mais de 30 entrevistas semiestruturadas foram realizadas nos assentamentos e comunidades da região. Elas foram completadas por entrevistas das principais cooperativas, responsáveis das lojas de vendas das Cidade de Brasília e Goiânia e das administrações locais em carga da implementação de politicas publicas de fomento à comercialização dos produtos agroextrativistos. Os resultados apresentam um mapeamento inicial dos principais obstáculos para a construção social dos mercados dos produtos da biodiversidade do cerrado nesta região específica. Em termos sociais e econômicos, observa-se uma grande dificuldade de consolidação de organizações coletivas. As politicas publicas focadas no agroextrativismo do Cerrado são muitas incipientes, é caracterizadas por uma ausência de diferenciação dos produtos sustentáveis (através marcas, indicações geográficas ou selos específicos), a dificuldade de licenciar novos produtos, e a falta de apoio à comercialização (através organização de feiras, compras publicas, assistência técnicas à comunidades para atingir o mercado formal). As poucas e recém criadas unidades de conservação (reservas extrativistas) ainda não conseguem estimular ações coletivas dos grupos de agroextrativistas locais, sendo palco, inclusive, de diversos conflitos entre comunidades residentes e do entorno destas áreas protegidas, latifundiários e instituições públicas responsáveis pela sua gestão. Esses resultados amostram uma grande diferencia da organização produtiva das cadeias agroextrativistas no Cerrado, em relação às cadeias extrativistas da Amazonia. Além de ser uma atividade complementar à agricultura familiar, o agroextrativismo no Cerrado cobre uma grande variedade de produtos nativos que estão coletados em propriedades tantas privadas que publicas. Essa analise amostra a necessidade de aplicar, no cerrado, instrumentos diferenciados do que os dispositivos que são implementados na Amazônia. É importante se aprofundar as pesquisas nesse sentido, com maior atenção à integração entre as políticas públicas locais e nacionais voltadas ao cerrado, destacando-se as suas especificidades com relação a outros biomas, uma vez que o próprio Governo Federal prioriza o agronegócio no cerrado, em detrimento de outras atividades tradicionais das comunidades locais. (Résumé d'auteur)...

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